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Os dilemas de uma vida livre

Respostas carregadas de “verdade” e de “simplicidade” para os problemas mais variados da vida contemporânea podem ser encontradas em diversos lugares – quem sabe, futuramente, num drive thru. Livros de autoajuda, convicções trazidas desde a infância, dogmas filosóficos, mensagens transmitidas por novelas e filmes, doutrinas religiosas, conselhos de amigos etc. São respostas que prometem desvelar a verdade oculta de uma vida simples, trazendo a sensação de segurança em meio ao turbilhão e caos da existência.

Se esses preceitos são eficazes ou não, pouco importa. O resultado positivo fortalece a convicção. Se o resultado for negativo, então acreditamos que a verdade é mais oculta do que imaginamos e só a conheceremos num futuro próximo ou distante.

As decisões de uma pessoa livre, no entanto, envolvem problemas complexos e consequências numerosas. O desejo é capaz de se convergir para vários objetos, enquanto os valores se multiplicam e se contradizem entre si. Como conciliar os compromissos do dia a dia para conseguir satisfazer todos os nossos desejos? A religião ensina normas morais que contrariam a educação dos pais; a promoção no trabalho exige maior dedicação à empresa, diminuindo o tempo com a família; os filhos e o companheiro odeiam o tempo que você gasta no lazer; o salário não é suficiente para pagar as contas; o tempo com o companheiro ou a companheira torna-se tempo morto e sem significado; algumas das expectativas do lugar em que se trabalha se contrapõem às suas próprias expectativas; o conhecimento adquirido com os pais, na escola ou nos livros já não respondem a todas as perguntas.

É impossível encontrar respostas fáceis para problemas difíceis. Recuperar visões simplistas para enfrentar dilemas complexos é recuar ante o desafio da vida. Ser livre é ser corajoso para tomar decisões e trilhar caminhos que não possuem garantia alguma de um final feliz. A família, a religião, a mídia e o senso comum são apenas subterfúgios que utilizamos para justificar nossas próprias decisões. As justificativas, entretanto, não garantem o sucesso de nossas decisões.

Problemas complexos exigem decisões complexas. Olhar a vida com os olhos de criança, por exemplo, não é reencontrar a essência perdida que um dia aprendemos e que nos esquecemos. O objetivo da vida não é recordar uma verdade que um dia conhecemos, como havia ensinado Platão. A essência da vida não é simples. Os olhos de uma criança veem problemas de criança. Podem trazer conforto e paz interior a uma pessoa já adulta, porém jamais lhe mostrará os matizes, os timbres e os tons da existência. Apenas um olhar que não se fecha para o movimento e para a complexidade da vida é, realmente, corajoso.

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