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Não há garantias

Atualmente, há solução para tudo. Hábitos que conduzem ao bem-estar e a uma vida longa e saudável, exercícios de reprogramação neurolinguística que prepararam o profissional para conquistar o sucesso em sua carreira, orientações morais que objetivam minimizar a dor, orientações sexuais que objetivam maximizar o prazer, cerimônias religiosas que prometem prosperidade material, terapias cuja missão é elevar o paciente acima dos problemas rotineiros, visitas a instituições que anunciam o fim de toda tristeza, comportamento disciplinado no trabalho que garante a promoção. Não se espantem, mas existe até mesmo receitas para fazer bolo de chocolate.

Outro dia, recebi um e-mail que rasgava elogios para o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. A mensagem dizia que Joaquim Barbosa tivera origem humilde, o que não o impediu de aprender várias línguas, estudar, ser ministro do STF e blá, blá, blá. Chegaram a compará-lo ao Batman. Por fim, o texto informava que Joaquim Barbosa não precisou da política de cotas para o ingresso de negros nas universidades para conseguir o que conseguiu. Sua força de vontade foi suficiente e devia tornar-se modelo de conduta para o restante dos brasileiros. O que isso quer dizer? Que todos os brasileiros que se esforçarem serão ministros do STF? Mas não há vaga para todo mundo!

Nada disso é garantido. A existência é instável. Nada permanece o mesmo ontem e hoje, aqui e ali. Nenhum conjunto de rituais – sejam eles religiosos ou laicos – garante qualquer tipo de recompensa ou controle sobre os fenômenos que nos circundam e nos envolvem. Não temos controle sobre a vida. É impossível.

Questionar a validade de todas essas crenças pode parecer cinismo. O cinismo foi uma corrente filosófica grega que minimizava a importância das instituições sociais e valorizava a busca por uma vida natural, reduzida a mera satisfação das necessidades mais instintivas do ser humano. Não creio que o cinismo seja a melhor resposta para esse problema nem pretendo que as pessoas abandonem suas crenças e seus comportamentos. Mas, antes de se tomar uma decisão baseada em princípios e comportamentos que induzem a um suposto controle da vida, é importante lembrar que não há garantias.

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