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Sobre o antipartidarismo junho de 2013

O antipartidarismo de alguns setores dos movimentos de junho de 2013 foi criticado ou, no mínimo, avaliado com ares de suspeita por alguns analistas que se debruçaram sobre o que acontecia na cidade de São Paulo naquele período. Alegavam que o antipartidarismo era uma demanda dos regimes autoritários e totalitários, interessados em eliminar ou reprimir a pluralidade e a diversidade de ideias políticas (o dissenso sempre foi um temor dos governos fascistas). Nessas condições, o antipartidarismo podia colocar em xeque a própria condição democrática dos movimentos de junho de 2013.

Creio que essas análises foram um tanto apressadas e ingênuas. Em primeiro lugar, os regimes autoritários e totalitários não são antipartidários, e sim monopartidários. O partido político desses regimes exerce uma importante função no funcionamento da máquina estatal, recrutando e doutrinando em escala progressiva quantidades cada vez maiores de pessoas. Essa não é, entretanto, a principal razão que me levou a discordar daquelas análises. Penso que o antipartidarismo pode, sim, estabelecer laços de simpatia com os regimes autoritários e totalitários, conduzindo a um recrudescimento da política, mas é importante lembrar que o antipartidarismo não é, necessariamente, a negação de todo e qualquer partido, a rejeição da própria essência de um partido político, e sim o reconhecimento de que o funcionamento e a organização dos atuais partidos político, daqueles que se apresentam atualmente à sociedade, estão falidos. E não é essa a situação em que nos encontramos em nosso país? Apesar de suas diferenças discursivas e propagandistas, a organização fortemente vertical e hierárquica e o funcionamento burocrático e de apadrinhamento não se tornaram características comuns aos grandes partidos?

A crítica ao sistema partidário, mobilizada por alguns setores dos movimentos de junho de 2013, pode abrir a possibilidade para a formulação de partidos políticos mais horizontalizados e menos burocráticos. Pode liberar forças que contribuam para a criação de associações políticas menores, mais locais e regionalizadas ou, ainda, descentralizadas. Enfim, o antipartidarismo pode mobilizar novas relações entre o partido e o cidadão. Devo dizer, no entanto, que não sou otimista. Essas alternativas são possibilidades, e não efetividades. Não são apenas forças progressivas que foram liberadas pelos acontecimentos de junho de 2013, mas também forças reacionárias que adormeciam desde o fim do regime militar. O caminho que seguiremos? Impossível prever…

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